sábado, 19 de setembro de 2015

Um Estado de Trance

Tudo se inicia num silêncio, um silêncio que lentamente se começa a fazer ouvir. Os olhos abrem-se: bateu à porta uma nova etapa. É tudo novo e desconhecido, e as descobertas sucedem-se a um ritmo impensável, culminando num novo silêncio que deixa antever algo diferente.

De repente o jogo muda. O ritmo cresce, o nosso mundo cresce, nós crescemos e tudo à nossa volta se move a uma velocidade estonteante. Não, afinal somos nós quem corre. Não há tempo para parar. Tudo acontece, tudo quer acontecer. Cada momento importante se vai impondo à outrora normalidade do silêncio. Bebemos todos esses momentos: cada nota, cada batida do coração representam mais um segundo em que permanecemos vivos, mais um segundo do nosso mundo, mais um segundo de experiência. Estes segundos parecem tão efémeros, mas quando paramos para respirar constatamos que se acumularam tão rápido! Mas o caminho é em frente, hoje e sempre. É uma jornada de um só sentido, cheia de cruzamentos e bifurcações mas sem retorno. Podemos olhar para trás, não podemos voltar atrás. Continuemos, cada vez mais rápido e rápido, até não podermos mais! Há muito que passámos por metade da viagem, há muito que deixámos de ser inocentes, há muito que parámos para pensar! Há tanto para ver, ouvir, tocar! Há tanto para sentir! Mas vamos tão depressa, vamos tão depressa, há tanto a passar por nós a que não chegamos! É preciso abrandar.

Agora sim, mais devagar. Não foi uma travagem suave, antes algo progressivo, mas que nos deixa perceber tudo aquilo por que passámos e tudo aquilo que fomos e somos. Estamos cansados mas felizes. Somos tão pequenos e insignificantes aos olhos do Universo mas vivemos tanto que nos sentimos autênticos gigantes. Olhando para trás, podemos dizer que andámos por caminhos memoráveis. A viagem foi feita num sonho acordado, num estado de consciência anestesiada mas plena, num estado de transe. Foi uma jornada mágica. Pareceram ter sido alguns minutos, mas na realidade foi a imensidão de uma vida.

Regresse agora o silêncio.