Vácuo, lacuna ou zero
Tantos vocábulos que expressam o que quero:
Um vazio ilimitado de ideias,
De uma criatividade que se esvai
Escondida atrás das ameias
Dessa fortificação prestes a ruir,
Um deserto sem oásis
Que insiste em manter-se por perto
Oferecendo resistência a fluir.
O que é do Homem sem algo?
O nada não é mais que a ausência de tudo,
Mas vestígio de terreno fértil que já deu fruto
Consumido de um trago antes que virasse amargo,
E antes a memória do que já houve
Que o luto do que nunca virá.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
sábado, 12 de outubro de 2013
Indecisão
Quase todos a preferem suave e aveludada,
Capaz de satisfazer sonhos de infância;
Há quem a prefira de tal forma adocicada
Que se fica pela doçura e perde em substância.
Existem as que contêm obstáculos,
Triturados para de lá se retirar prazer,
E os puritanos gostam de a sentir bem amarga,
Mas com toda a essência que ela deve ter:
Sofrendo em primeira instância,
Acabando a florescer.
Ah! Tanta celeuma e debate
Na hora de escolher uma tablete de chocolate!
Capaz de satisfazer sonhos de infância;
Há quem a prefira de tal forma adocicada
Que se fica pela doçura e perde em substância.
Existem as que contêm obstáculos,
Triturados para de lá se retirar prazer,
E os puritanos gostam de a sentir bem amarga,
Mas com toda a essência que ela deve ter:
Sofrendo em primeira instância,
Acabando a florescer.
Ah! Tanta celeuma e debate
Na hora de escolher uma tablete de chocolate!
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Efémero
O que tem valor não perdura,
O verbo usado
Não ganha postura
E a fraqueza revela-se pelo que não é dito.
E pela forma como se subsiste
Numa redoma de enganos
Dos momentos em que se insiste
Em sonhar ser alguém,
Um ser único a elevar-se do abismo
Onde caímos tantas vezes
Em horas de cataclismo
Durante dias, semanas, meses.
É dor sem pai nem mãe,
É antítese iletrada
Em história cravada a ferros
Na frágil pele desnudada.
sábado, 5 de outubro de 2013
Biblioteca Sabática #11
Alexandre Herculano (1810-1877) foi um escritor, poeta, jornalista e historiador de vital importância no panorama da literatura nacional, por ter sido um dos rostos do Romantismo em Portugal e um dos grandes impulsionadores da prosa de ficção moderna no nosso país.
Influenciado por toda uma panóplia de acontecimentos ocorridos em solo nacional durante o início da sua vida, como as invasões francesas, o domínio inglês ou as ideias liberais trazidas da Revolução Francesa, Alexandre Herculano acabou por se destacar dos demais escritores da sua geração, por toda a alma e intensidade que colocava nas suas obras.
Eurico, O Presbítero (1844) é sem dúvida uma dessas obras, e uma das mais conhecidas do autor. Somos apresentados à história de amor proibida de Eurico e Hermengarda, na Espanha visigótica do século VIII. Depois de travar e vencer batalhas ao lado do Rei de Espanha, o valoroso Eurico, de origens humildes, pede ao Duque de Cantábria a mão da sua filha Hermengarda em casamento, sendo que este recusa ao saber que Eurico não é nobre.
É então que este se entrega à vida religiosa tornando-se Presbítero de Carteia, mais por necessidade de afastar as memórias de Hermengarda do seu pensamento do que por vocação, mas o amor verdadeiro é inesquecível e proporciona muitas reviravoltas no mundo de Eurico.
Eurico, O Presbítero é um romance apaixonante e vibrante sobre dois destinos travados pelo peso do interesse e da estratégia política que muito estiveram em voga durante grande parte da História que já se escreveu e daquela que é permanentemente escrita. Às vezes é mais fácil fugirmos daquilo que não podemos ter por não acreditarmos ter valor para mudar o que o destino tem escrito para nós, e isso deixa-nos infelizes e de braços caídos, reduzidos à insignificância da nossa vida. Claro que podemos sempre escolher lutar contra aquilo que nos está reservado na tentativa de alcançarmos aquilo que almejamos, mas será possível alterar aquilo que já está escrito? Uma coisa é certa: ser infeliz sem tentar é muito diferente do que ser infeliz com a consciência de que se fez tudo o que era possível.
Não posso terminar sem deixar de dar o meu "selo de qualidade" a esta obra: quando alguém me fala em "Romeu e Julieta", a minha primeira reacção é dizer sempre "Eurico e Hermengarda". Talvez haja quem ache exagero, mas qual é a grande história de amor que não vive de exageros?
Boas Leituras!
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