sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Biblioteca Sabática #14

Primeiro, um pequeno grande apontamento: prometo que o atraso nesta rubrica não se deve a preguiça mas sim a problemas informáticos irritantemente complicados de resolver. Posto isto vou então começar a falar de Lev Tolstoi (1828-1910), que foi um conde russo sobejamente famoso na literatura mundial. Conhecido por se encontrar numa constante batalha entre a vontade de viver uma vida boémia e passar os dias de uma forma absolutamente regrada e longe das luzes da ribalta. Acabou por fazer as duas coisas: enquanto jovem apostou mais nos prazeres da carne e do jogo, mas depois de se casar, em 1862, Tolstoi alcançou a paz na gestão das suas propriedades e fortuna e também com a escrita. Foi durante este período que escreveu autênticas obras-primas como Guerra e Paz ou Anna Karenina, ou ainda a obra apresentada em baixo.


A Morte de Ivan Ilitch (1886) é um livro pequeno mas brilhante, considerado por muitos uma das mais fantásticas obras da Literatura Russa e Mundial. Começa precisamente com o anúncio da morte e o velório de Ivan Ilitch, um funcionário jurídico respeitável e por quem todos têm grande estima. Despreocupado com a vida para além das obrigações, tudo muda quando Ilitch fica gravemente doente e começa a definhar em casa acamado, sem contactar com o mundo exterior. A partir daí assistimos à história brilhante de um homem no limbo entre a vida e a morte e por uma busca de conhecimento interior e pelo sentido da vida. É comovente e simultaneamente desesperante sentirmos que a vida se nos escapa lentamente por entre os dedos e que não fizemos o suficiente por merecermos tornarmo-nos imortais através dos nossos feitos ou palavras; que vivemos o suficiente para realizarmos os nossos sonhos e em vez disso perdemos o tempo todo a tentar fazer parte de uma sociedade que se vai esquecer de nós assim que deixarmos de lhe ser úteis. E por isso, pior do que morrer é sentir que não vivemos. E se na realidade não vivemos é porque não iremos propriamente morrer, ficando a nossa existência presa numa dimensão de insatisfação e desespero por termos tido a oportunidade de sermos tudo e acabarmos como nada.

Boas Leituras!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Esquizofreléctrico

Em nome da Ciência
Deixo correr electricidade nas minhas veias.
Nada falta: também trago bateria e resistência,
Uma para dar energia,
Outra para queimar.
Queimar? Será a isso que me cheira?
Hmmm, deve ser é demência...
(Dizem sujeitos de renome
Que está associada à inteligência...
Veremos se esta não me some!)
Mas afinal fui pouco sagaz,
Há mesmo algo queimado...

ZÁS!
Era o que temia...
Fiz curto-circuito!
Está tanto frio, o que se ouve?
O silêncio, o vazio...
Urge trabalhar depressa!
Corrida às actualizações,
Reparar peça a peça...
E acho que estou pronto!
Vamos ver...
Liguei!
Já estou bem!
(Estarei?)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Um Ano? Um Dia!

Um dia, vinte e quatro horas
Mas com mensagens às remessas,
Mais pressas
E um sem número de demoras.

Resoluções atribuladas
Por entre cabrito e bacalhau,
"Este ano vou ser melhor
Mas amanhã posso ser mau".

E surge a fantasia do mundo ideal
Com tais festejos de Norte a Sul,
Com a concordância no discurso
E a intimidade coberta de azul.

Não se racionalizem revoltas,
Não é a festa que é o pecado,
É querer dar nome à folia
E usar o gasto "Já não te via desde o ano passado!"

Acordemos então do sonho:
Permanecemos iguais!
Eis um dia como os que estão para vir
Mas que apenas não virá mais.