Do que sei só sei que não sei
Tudo o que sei ser lei,
Se o que acumulei
Não é mais do que o que não dei,
Se era bonito o horizonte
Na hora em que o contemplei.
Tão tarde falei que já não sei.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Manifesto Pró-Almada – Futurista e Defensor das Vontades, Combatente de Monos e Vaidades, Impulsionador do Descobrimento dos Excessos e Vanguardista nas Artes Várias. Tudo isto e muito mais, nunca menos.
Sonhemos! Emocionemos! Gritemos! Exasperemos! Façamos! Beijemos! Cantemos! Choremos! Que se possa errar e aprender com os erros! Que se possa errar e continuar, se aprouver! Que se usem as boas maneiras para exaltar quem merece, que se enfiem as boas maneiras num saco por quem as esquece! Que se ria muito, se coma muito e se beba ainda mais! Que o pouco seja para o que deve! Que não haja troça dos poetas e que haja se não passarem de lixo! Que não se benza lixo! Que não se bajule lixo! Parem-se as avalanches de sins quando faltam bons nãos! Haja revolta! Haja acção! Não à inércia, a mental! Que se possa dizer tudo e opinar tudo, que se possa criticar tudo! Que se tapem ouvidos e não bocas! Escreva-se à mão! Recuperem-se as máquinas de escrever! Vamos para a rua! Olhemo-nos nos olhos! Que bebamos da vida que brota desses olhos! Sejamos piegas de vez em quando! Revoltemo-nos sempre que necessário! Não viremos as costas àquilo que nos ataca à traição! Que se acabem com as futilidades e as sevícias! Que se mostre o bonito! Que se mostre o feio também! Que não se esconda nada! Que se experimente o Amor! Que se viva o Amor! Que se sofra por Amor! Que se foda o Amor! Que se usem palavrões como alívio da pressão! Que se use o cliché como desculpa! Que se justifiquem argumentos! Que não se justifiquem opiniões! Que se sigam as convicções! Mostre-se raiva! Mostre-se carinho! Haja melancolia e solidão, tristeza e depressão! Haja espanto e harmonia, haja histerismo e alegria! Haja Casal Garcia! Haja humor! Lixem-se as marcas! Acabem-se os provérbios e as frases feitas! Desapareçam os robots telecomandados! Que a nossa vida seja dona dela própria! Que a nossa vida não seja dona de ninguém! Dê-se voz à coerência sensata e um altar à incoerência febril! Faça-se novo! Faça-se de novo! Deite-se fora o velho! Guarde-se o antigo! Que tudo seja protegido mas nada intocável! Deseje-se a morte do Dantas! Que não morra o corpo do Dantas, que lhe morra a obra! Que se lhe morra a geração! Que seja o cigano a sentir-se ofendido ao ser comparado com o Dantas! Que venham as batalhas! Que venham as consequências! Que venham as veemências! Que a intensidade nos governe e as palavras no papel se cravem na memória como lâmina na carne! Que se recupere a vontade de escrever! Escreva-se! Escreva-se! Escreva-se! Sejamos Almadas, revolucionários e futuristas! Sejamos Pessoas, criadores e expansores de almas! Que não nos tornemos órfãos de ideias mas sim Orfeus de ideias! Que escrever seja quebrar as regras! Que se leiam páginas pela emoção e não pela pontuação! Que a pontuação exista não mais do que o necessário, como nos ensinou o José! Que não se paragrafe! Que todas as ideias sejam uma grande ideia! Arrumem-se os lirismos e floreados, que se sirvam cruas as palavras e se escalde o Mundo! Que ninguém se cale enquanto houver algo para dizer e que ninguém fale quando nada reste para falar!
A Poesia não está na liga perdida, mas na mulher que a perdeu.
A Poesia não está na liga perdida, mas na mulher que a perdeu.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Prováveis
Não gosto de probabilidades. Fazem-me sentir enganado, e eu não gosto nada de ser enganado. Aliás, sempre considerei ser essa uma das grandes funções do pseudo campo/ciência que são as probabilidades. Uma probabilidade não é mais do que uma invenção do Homem para tentar mostrar que controla e prevê acontecimentos que o superam, servindo simultaneamente de desculpa no caso de estar errado. Eis um diálogo recorrente no nosso quotidiano:
- Então, que te aconteceu? Estás todo encharcado!
- Oh, na meteorologia disseram que hoje havia uma probabilidade de 10% de chover, achei que não valia a pena ir carregado com um guarda-chuva...
- Pelos vistos estavas enganado...
E as pessoas adoram fazer o jogo perigoso das probabilidades. Quando um acontecimento é provável é como se deixassem de existir vários desfechos possíveis. Na mente de um leigo, uma moeda que em 5 lançamentos gera 5 caras só tem uma face. Um jogador de futebol que em 3 jogos seja expulso 3 vezes já tem o destino traçado no quarto jogo. Um político que vença 7 eleições vai vencer a oitava.
Basicamente, o ser humano abraçou a roleta russa das probabilidades e deixa que esta o governe a si e às suas tomadas de decisão. As probabilidades são, no fundo, uma forma que possuímos de evidenciar alguma sobranceria e arrogância perante um destino que nos engole mas que apesar de tudo é um destino que pretendemos dominar ou fingir que dominamos.
Quem não ouve uma probabilidade é imprudente, e mesmo depois de mostrar que estava certo torna-se um génio "louco". Curioso é que existam algumas excepções em que as probabilidades são esquecidas, como num jogo do Euromilhões. E a Santa Casa agradece que toda a gente jogue, apesar de a probabilidade de cada um vencer o sorteio seja igual a 0,000000003575561921%. É uma das poucas ocasiões em que o Homem se torna mais crédulo na sorte do que na probabilidade, porque somos todos boas pessoas e portanto coisas boas são o que nos tem de acontecer, não é verdade?
E é isto. Como seres irracionais que somos (apesar de nos acharmos seres muito pensadores cheios de capacidade para controlar o Mundo), criamos regras para viver em sociedade que quebrar quando nos convém. E vivemos felizes com isso. Mas atenção, nem todas as regras gozam desta capacidade de serem ignoradas. Como sociedade, continuamos na hipocrisia de criticar aquilo que sai dos padrões do que é socialmente aceite, excepto no caso em que somos os visados. Mas quando criticamos, é provável que aconteça só aos outros.
Fui educado para pensar que vou ser feliz e alcançar todas as metas a que me proponho, isto porque sou um bom menino e por isso mereço ser feliz e sentir-me realizado. Pois bem: provavelmente essa teoria é parva, porque muitas coisas más acontecem a gente boa. Mas também é provável que esta minha dissertação revoltada seja ridícula, simplesmente porque não me sinto feliz agora e provavelmente nunca me hei-de sentir feliz no Futuro. Ou então é provável que nada do que eu diga aqui faça sentido porque sou um poço de confusão de ideias e misturar conceitos e pensamentos numa grande sopa de palavras é o que eu faço, mas também porque tudo é possível em qualquer altura e em qualquer lugar, porque a vida é uma infinidade de possibilidades e não existe ninguém que possa prever ou que esteja certa acerca de tudo. Não sei. Mas é essa a questão dos Prováveis: há sempre uma forma de deixarem de o ser.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Pensamento #10
A repetição é o acto desesperado de tentarmos explicar a outros aquilo que só nós sentimos.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Alma Líquida
Frustrantes,
As tentativas de agarrar a água do rio
Sem algo para guardar,
Sem saber se ela se correu ou fugiu.
A terra onde o rio corre
É menos permeável que a palma da minha mão
Mas o local que a água percorre
É a terra que piso e a que chamo chão.
Porque a terra não mente,
Não fala, não sente.
A terra não complica: encerra uma história
Que só mostra a quem tente.
Os sonhos são um rio que flui,
Correm com vontade até ao sal
Desisti de enclausurar água num punho
É tempo de abraçar um caudal.
As tentativas de agarrar a água do rio
Sem algo para guardar,
Sem saber se ela se correu ou fugiu.
A terra onde o rio corre
É menos permeável que a palma da minha mão
Mas o local que a água percorre
É a terra que piso e a que chamo chão.
Porque a terra não mente,
Não fala, não sente.
A terra não complica: encerra uma história
Que só mostra a quem tente.
Os sonhos são um rio que flui,
Correm com vontade até ao sal
Desisti de enclausurar água num punho
É tempo de abraçar um caudal.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Gladius
Esta vontade,
Esta ânsia que me pulsa nas veias
De distorcer a verdade,
De deitar mão à saudade,
De tatuar no papel
Uma distopia,
Uma alma cheia,
Uma meta vazia.
Escrever, escrever, escrever:
Não é a repetição
Que dela faz imperativo,
É a necessidade de me manter vivo
Que resulta como uma canção.
E se um dia as letras se apagarem
E as palavras se baralharem
Será o dia em que parou de me bater o coração.
Esta ânsia que me pulsa nas veias
De distorcer a verdade,
De deitar mão à saudade,
De tatuar no papel
Uma distopia,
Uma alma cheia,
Uma meta vazia.
Escrever, escrever, escrever:
Não é a repetição
Que dela faz imperativo,
É a necessidade de me manter vivo
Que resulta como uma canção.
E se um dia as letras se apagarem
E as palavras se baralharem
Será o dia em que parou de me bater o coração.
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