sexta-feira, 31 de julho de 2015

Num Lugar

Homens e Mulheres
Aplaudiram-me e aceitaram-me.
Dizem de mim ser melhor do que aquele eu sentia
E melhor ainda do aquele que viam em mim.
Acredito na segunda.
Acredito ter encontrado um espaço por preencher,
E ocupo-o com todo o meu ser,
Sinto-me tão pleno assim.
Hoje pergunto-me se encontrei um lugar entre eles
Ou se foram eles a encontrarem-se em mim.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Casa

Não aconteço antes de acontecer,
Em casa não sou de ter.
Sou o quê? Nem sei bem:
Para ti sou só alguém,
Para mim sou lá alguém.
Entre tantos fazeres
Queria apenas ser
Neste mundo de com
Onde termino sem.
Queria tanto pertencer,
Mas não sei a quem.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Vistas

Ontem fui um,
Hoje sou outro,
Amanhã nem sei.
Já fui um, dois,
Já fui até ninguém
E já cheguei a não ser Eu.
Não, Eu fui sempre.
Mas nem sempre os olhos que me viram
Foram teus.

domingo, 12 de julho de 2015

Ferida Aberta

No silêncio desta melodia
Só se ouve o recreio
De uma noite tão fria
Cheia do meu receio,

Sei que chegou ao fim
Algo que nem teve início,
Eras tu alimento, fome
E ainda mais vício,

Mas até essa vontade
Matou cedo o sustento
Da nossa tenra verdade,

E só de olhar para ti
No seio da minha mente
Me diz que em mil e uma
Serás sempre diferente,

Mas quando o amor for egoísta
Que se me esgote o coração
Pois no amor da felicidade
Tendo a abrir mão,

E se um dia me recordares
Com os olhos que sempre quis
Morrerei com a alegria
De ser alegre por um triz.

sábado, 11 de julho de 2015

Carrossel

Pago bilhete à entrada,
Na mão esquerda tenho esperanças
Na direita não levo nada.
Prossigo para esta brincadeira de crianças
Sempre de olhar desconfiado,
Qual seria o interesse da vida
Se o ponto de chegada
Fosse a partida?

Mas à medida que circulo
E que me apanha a realidade
Percebo então o estímulo
De andar às voltas sem saída:
Viver nem sempre é uma corrida,
Às vezes é corrida sentado,
E o que pode vir a ser
Afinal podia ter sido.

Mas com tantos erros de cálculo
Aprendemos qualquer coisa,
E também quem se move menos
Pode ir evoluindo.

Repetir portanto a paisagem
Não é anormal enquanto me movo:
Mudando a cada passagem
O velho será sempre novo.
E neste bilhete de ida
Não deixa de haver volta
Se não páro permanecendo aqui
E os sonhos andam à solta.