Até que a tua voz me falhe,
Que a tua vergonha me deixe sem jeito,
As tuas lágrimas me deslizem pela cara
E a tua ansiedade me bata forte no peito.
Que me doa o que no teu coração doeu,
Pois ter um amigo é poder dizer:
O que em ti morre, em mim morreu.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
(Des)Norte
Da folha em branco fiz destino
E nele desenhei a minha sorte.
Mas já no fim a mão falhou,
O carvão acabou
O carvão acabou
domingo, 27 de janeiro de 2013
Regina
Mais do que ambicionas ser,
Agarras-me e tomas-te por teu,
Ressoa tua voz no meu coração que
Guarda assim razões de um novo Eu.
A Lua encerrada num corpo,
Rainha de todos, mas de um,
Ilumina o que é de mais nenhum.
Dou-me a ti, dá-me o Mundo
E abraça-me num beijo profundo!
Agarras-me e tomas-te por teu,
Ressoa tua voz no meu coração que
Guarda assim razões de um novo Eu.
A Lua encerrada num corpo,
Rainha de todos, mas de um,
Ilumina o que é de mais nenhum.
Dou-me a ti, dá-me o Mundo
E abraça-me num beijo profundo!
Masoquismo
Sou um sofredor,
Espero o fim dos dias
Vivendo na constância da dor.
Será isto pecado?
Amar amar
E não ser amado?
Sonhos não traz,
Pesadelos também não,
É desejo de tortura
E almejo de solidão.
Sei que mereço
Apodrecer pela raiz,
É este o destino que conheço,
Alegrar quem quero
E não ser feliz.
Espero o fim dos dias
Vivendo na constância da dor.
Será isto pecado?
Amar amar
E não ser amado?
Sonhos não traz,
Pesadelos também não,
É desejo de tortura
E almejo de solidão.
Sei que mereço
Apodrecer pela raiz,
É este o destino que conheço,
Alegrar quem quero
E não ser feliz.
sábado, 26 de janeiro de 2013
Apagar o Fogo com Fogo?
Somos muitas vezes confrontados com o sentido de perda. Perdemos objectos importantes, perdemos séries na TV, perdemos entes queridos e perdemos oportunidades no Amor. Neste último, acontece que frequentemente cometemos um erro crasso: tentamos esquecer uma pessoa com outra pessoa.
Tão tentador, tão errado. O nosso cérebro funciona como aqueles amigos chatos, que passam o tempo a lembrar-nos daquelas asneiras ridículas que cometemos, mas que depois são os primeiros a propor-nos nova aventura louca. A nossa memória é tão preenchida com um Amor que correu mal ou que não correu de todo que a nossa primeira reacção é procurar alguém que nos dê recordações novas que substituam as velhas e dolorosas.
O grande problema é que nós criamos expectativas. Quando somos felizes com alguém ou achamos que vamos ser felizes com alguém, a nossa mente fabrica uma realidade cor-de-rosa, em que nada destrói a felicidade e na qual sentimos que somos inatingíveis. Quando tentamos amar alguém da mesma forma que já amámos outra pessoa, descobrimos que a realidade que tínhamos imaginado não é afinal reprodutível com mais ninguém. Quando perdemos quem nunca tivemos, descobrimos que não podemos vir a ter o que queríamos com alguém que agarramos. Se esta pessoa que conseguimos ter fosse igual àquela com que não conseguimos ficar, provavelmente já a teríamos perdido também.
A curto prazo é fácil e agradável, mas a longo destroça-nos o coração e corrompe-nos a alma. A felicidade com um Pseudo Amor é como uma simples maçã, em que há uma finíssima casca a separar-nos do verdadeiro fruto. Esta felicidade é algo extremamente artificial e de morte anunciada para duas pessoas.
Não vale a pena trocar um Mundo de Tristeza por dois de Dor.
P.S.: Depois de ter pensado nisto há alguns dias, fui confrontado com este vídeo das maravilhosas TEDTalks, em que alguém mais qualificado que eu, o psicólogo Barry Schwartz, fala precisamente da questão das escolhas e das expectativas, e dos erros a que nos levam. Apesar de alguns termos científicos, é um vídeo bem disposto e esclarecedor e por isso achei apropriado emparelhá-lo com esta minha reflexão.
Sobre a Vida
Uma amiga perguntou-me se eu tinha uma teoria sobre o facto de a Vida ser tão traiçoeira, tão cheia de altos e baixos. Acredito que tudo o que acontece tenha uma razão de ser, e este caso não representa uma excepção.
Nós, seres humanos, não conseguimos quantificar os sentimentos, e como tal vivemos a nossa vida baseando-nos fortemente na comparação. Nós não conseguimos dizer se somos a décima ou a centésima pessoa mais feliz do Mundo, mas sabemos dizer se estamos hoje mais felizes do que aquilo que estávamos há um ano atrás.
Por muito que queiramos alcançar a felicidade eterna esta não é real. Podíamos esperar que nos acontecessem sucessivos motivos de felicidade, cada um melhor do que o outro, eternamente, mas sabemos que tal é impossível. De outra forma, quando passarmos por um considerável valor de acontecimentos positivos de grandiosidade aleatória, ignorando já qualquer situação negativa, mesmo assim não nos iremos sentir felizes, porque a comparação feita pelo nosso subconsciente nos dirá, que apesar de positivos, certos acontecimentos não são "tão bons" como outros anteriores. A felicidade e a tristeza supõem mudança, não algo bom ou mau, e portanto o facto de experienciarmos algo positivo não faz de nós felizes a menos que tal acontecimento seja efectivamente melhor do que o anterior. Não havendo essa mudança, o que sentimos é uma sensação de desconforto e falta na nossa vida.
Logo, e por muito paradoxal que seja, demasiada felicidade não faz de nós necessariamente pessoas felizes. Por muito que não queiramos, precisamos da infelicidade para saborearmos com maior intensidade a felicidade, assim como a luz mais brilhante produz a sombra mais escura. Se não passarmos por momentos de tristeza, nunca vamos saber o verdadeiro valor de se ser feliz.
Nós, seres humanos, não conseguimos quantificar os sentimentos, e como tal vivemos a nossa vida baseando-nos fortemente na comparação. Nós não conseguimos dizer se somos a décima ou a centésima pessoa mais feliz do Mundo, mas sabemos dizer se estamos hoje mais felizes do que aquilo que estávamos há um ano atrás.
Por muito que queiramos alcançar a felicidade eterna esta não é real. Podíamos esperar que nos acontecessem sucessivos motivos de felicidade, cada um melhor do que o outro, eternamente, mas sabemos que tal é impossível. De outra forma, quando passarmos por um considerável valor de acontecimentos positivos de grandiosidade aleatória, ignorando já qualquer situação negativa, mesmo assim não nos iremos sentir felizes, porque a comparação feita pelo nosso subconsciente nos dirá, que apesar de positivos, certos acontecimentos não são "tão bons" como outros anteriores. A felicidade e a tristeza supõem mudança, não algo bom ou mau, e portanto o facto de experienciarmos algo positivo não faz de nós felizes a menos que tal acontecimento seja efectivamente melhor do que o anterior. Não havendo essa mudança, o que sentimos é uma sensação de desconforto e falta na nossa vida.
Logo, e por muito paradoxal que seja, demasiada felicidade não faz de nós necessariamente pessoas felizes. Por muito que não queiramos, precisamos da infelicidade para saborearmos com maior intensidade a felicidade, assim como a luz mais brilhante produz a sombra mais escura. Se não passarmos por momentos de tristeza, nunca vamos saber o verdadeiro valor de se ser feliz.
Amizade
Ele ia a passar e viu-a. Estava a andar em círculos. Perguntou-lhe porquê.
Ela respondeu-lhe:
- Faço isto em nome da Amizade, ando em círculos porque acredito que, se o fizer, vou conseguir manter o meu círculo de amigos mais fechado, mais junto.
- E é pura?
Ela, confusa, questiona:
- Pura?
- Sim, a tua Amizade. Ela é pura? Sentes que é verdadeira?
- Claro! De contrário não estaria aqui por ela...
Foi então que ele a olhou nos olhos e lhe disse:
- Por favor, pára o que estás a fazer, andar em círculos não te leva a lado algum. Começa a andar em frente, em direcção ao Horizonte. Mesmo que o Sol se ponha, mesmo que a mais violenta tempestade se abata sobre ti, mesmo que o chão te fuja sob os pés, não pares de caminhar em frente, em direcção ao infinito. Porque se há sentimento que mereça que andemos este Mundo e outro é a Amizade. Caminha por um amigo verdadeiro, e quando te aperceberes ele estará a caminhar contigo, lado a lado, até ao fim dos teus dias.
Ela respondeu-lhe:
- Faço isto em nome da Amizade, ando em círculos porque acredito que, se o fizer, vou conseguir manter o meu círculo de amigos mais fechado, mais junto.
- E é pura?
Ela, confusa, questiona:
- Pura?
- Sim, a tua Amizade. Ela é pura? Sentes que é verdadeira?
- Claro! De contrário não estaria aqui por ela...
Foi então que ele a olhou nos olhos e lhe disse:
- Por favor, pára o que estás a fazer, andar em círculos não te leva a lado algum. Começa a andar em frente, em direcção ao Horizonte. Mesmo que o Sol se ponha, mesmo que a mais violenta tempestade se abata sobre ti, mesmo que o chão te fuja sob os pés, não pares de caminhar em frente, em direcção ao infinito. Porque se há sentimento que mereça que andemos este Mundo e outro é a Amizade. Caminha por um amigo verdadeiro, e quando te aperceberes ele estará a caminhar contigo, lado a lado, até ao fim dos teus dias.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Ela
Sentamo-nos no baloiço de jardim,
Ouço-a a falar dos anos e da vida
E de toda a nossa infância perdida.
Somos agora adultos, e bebo aquelas palavras
De tom jasmim.
Não lhe venço batalhas,
Pois sou eu que sou salvo de destinos
Condizentes com um coma lírico
De parecer cínico.
Mas findo o Tempo, arrasada Distância,
Volve toda uma ânsia
Do toque da mais bela presença etérea
Num anjo de vontade férrea.
(Este primeiro post "a sério" tem como objectivo agradecer a quem conseguiu derrotar inseguranças e medos que não eram seus. Por mim que tentasse, qualquer poema que escrevesse seria pequeno demais para ela).
Ouço-a a falar dos anos e da vida
E de toda a nossa infância perdida.
Somos agora adultos, e bebo aquelas palavras
De tom jasmim.
Não lhe venço batalhas,
Pois sou eu que sou salvo de destinos
Condizentes com um coma lírico
De parecer cínico.
Mas findo o Tempo, arrasada Distância,
Volve toda uma ânsia
Do toque da mais bela presença etérea
Num anjo de vontade férrea.
(Este primeiro post "a sério" tem como objectivo agradecer a quem conseguiu derrotar inseguranças e medos que não eram seus. Por mim que tentasse, qualquer poema que escrevesse seria pequeno demais para ela).
No Princípio era o Verbo...
O que é um escritor? Para muitos é senso comum, e a resposta mais provável será algo como "alguém que escreve, que reproduz palavras numa qualquer plataforma própria."
Escrever é uma forma de expressão. Todos nós somos potenciais escritores porque temos histórias para contar, novidades para mostrar, sentimentos para exteriorizar. E todos nós acabamos por efectivamente escrever. Escrevemos um conto, um poema, um livro, mas também uma pintura, uma escultura, uma conversa, um desporto. Se todos fazemos o mesmo, porque razão a escrita será propriedade exclusiva de quem faz aparecer conjuntos de letras numa folha de papel ou num ecrã de computador?
Escrever parece pouco mas é tudo. Escrever é falar. Escrever é rir. Escrever é sofrer. Escrever é amar. Resumindo, escrever é sentir.
Não conseguimos escrever algo que não tenhamos dentro de nós. Como é possível reproduzir-se o desconhecido, o estranho? Efectivamente não é. Até mesmo na invenção e na mentira o escritor é genuíno. Se um autor tem num livro seu uma personagem que se suicida, isto não significa que ele tenha tendência a fazer algo idêntico, mas sim que compreende os motivos dessa figura fictícia, que sente a realidade daquela pessoa irreal, que percebe que as medidas que tomadas por outrem fazem sentido em determinada dimensão. Uma empatia literária, portanto.
Escrever é despirmo-nos na frente dos outros, é darmos mais um pouco de nós, é oferecermo-nos para nos completarmos. Sem a escrita não somos ninguém, e a escrita não é nada sem nós.
O propósito deste blog prende-se com a vontade de um ser humano de dar um pouco de si ao Mundo, com o objectivo de também receber algo do Mundo através dessa dádiva. Podem esperar literatura de todo e qualquer tipo: prosa e poesia, filosofia, reflexões, contos ficcionados. Ignorando sempre o Acordo Ortográfico, claro.
Escrever é uma forma de expressão. Todos nós somos potenciais escritores porque temos histórias para contar, novidades para mostrar, sentimentos para exteriorizar. E todos nós acabamos por efectivamente escrever. Escrevemos um conto, um poema, um livro, mas também uma pintura, uma escultura, uma conversa, um desporto. Se todos fazemos o mesmo, porque razão a escrita será propriedade exclusiva de quem faz aparecer conjuntos de letras numa folha de papel ou num ecrã de computador?
Escrever parece pouco mas é tudo. Escrever é falar. Escrever é rir. Escrever é sofrer. Escrever é amar. Resumindo, escrever é sentir.
Não conseguimos escrever algo que não tenhamos dentro de nós. Como é possível reproduzir-se o desconhecido, o estranho? Efectivamente não é. Até mesmo na invenção e na mentira o escritor é genuíno. Se um autor tem num livro seu uma personagem que se suicida, isto não significa que ele tenha tendência a fazer algo idêntico, mas sim que compreende os motivos dessa figura fictícia, que sente a realidade daquela pessoa irreal, que percebe que as medidas que tomadas por outrem fazem sentido em determinada dimensão. Uma empatia literária, portanto.
Escrever é despirmo-nos na frente dos outros, é darmos mais um pouco de nós, é oferecermo-nos para nos completarmos. Sem a escrita não somos ninguém, e a escrita não é nada sem nós.
O propósito deste blog prende-se com a vontade de um ser humano de dar um pouco de si ao Mundo, com o objectivo de também receber algo do Mundo através dessa dádiva. Podem esperar literatura de todo e qualquer tipo: prosa e poesia, filosofia, reflexões, contos ficcionados. Ignorando sempre o Acordo Ortográfico, claro.
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