domingo, 27 de julho de 2014
sábado, 26 de julho de 2014
sexta-feira, 25 de julho de 2014
A ti, Leitora
Tu, que lês, és especial. Não vês só o que há em casa ou na rua, mas também o vento e o cheiro de uma nova manhã. És tu, querendo ser mais, mas não és quem não és.
Tu, que lês, és aventura. És acção prestes a realizar, sonho saído do sonhar. És desejo com crença, e crença com vontade. Sabes que o comprimento do braço não te impede de alcançar o que queiras, pois a distância é um termo relativo.
Tu, que lês, viajas. Num comboio, num avião ou num banco de jardim, nunca páras de (te) conhecer. Tudo é novo, inclusive o velho. Nada é vazio de significado, porque senão simplesmente não existia. E como o sentir é sentido! É fácil desenhares na mente o que ninguém escreveu na boca, como se subentendida fosse a palavra menos oca.
És tão igual a tantos e tão diferente dos demais. Estás tão só que a empatia é efeito secundário, e o fascínio de encontrar outra alma como a tua te afasta mais do que é ser compreendido. Mas é o que te deixa resiliente, o que te faz pegar em mais um livro e aspirar com sofreguidão o impacto da cafeína a percorrer-te cada veia. Sabes tanto e tão pouco que quando te distrais a tua força provoca uma reacção, e é muito semelhante a velocidade com que impressionas e desiludes.
Tu, que lês, és muito. E esse é o teu problema. Repara, depois de tantas letras bebidas o chão começa a ficar longe. Desejar é agora nada; o que tu queres é ser e fazer e provar e sentir. No fundo, cada centímetro da tua carne vibra por descobrir. Para ti, que lês, tenho apenas palavras. Eu, que escrevo, sou pouco mais do que grafismos e metáforas: a caneta é que vive, porque é dela a coragem, e eu não passo da extensão que lhe permite tal proeza.
Tu, que lês, caminhas para a próxima fase. Deixaste há muito de ser só quem lê e vais-te lentamente e com segurança tornando personagem narradora. Os livros foram manuais de instruções, mas tu já sabes comandar. Eu, naquilo a que chamas agora realidade, sou um mero ignorante. Os meus conhecimentos de Geografia resumem-se aos universos utópicos.
Eu pertenço ao Mundo, enquanto ele te pertence a ti. É por isso que, apesar de eu estar nas tuas mãos há tanto tempo, as minhas serão sempre demasiado pequenas para te agarrar.
Tu, que lês, és aventura. És acção prestes a realizar, sonho saído do sonhar. És desejo com crença, e crença com vontade. Sabes que o comprimento do braço não te impede de alcançar o que queiras, pois a distância é um termo relativo.
Tu, que lês, viajas. Num comboio, num avião ou num banco de jardim, nunca páras de (te) conhecer. Tudo é novo, inclusive o velho. Nada é vazio de significado, porque senão simplesmente não existia. E como o sentir é sentido! É fácil desenhares na mente o que ninguém escreveu na boca, como se subentendida fosse a palavra menos oca.
És tão igual a tantos e tão diferente dos demais. Estás tão só que a empatia é efeito secundário, e o fascínio de encontrar outra alma como a tua te afasta mais do que é ser compreendido. Mas é o que te deixa resiliente, o que te faz pegar em mais um livro e aspirar com sofreguidão o impacto da cafeína a percorrer-te cada veia. Sabes tanto e tão pouco que quando te distrais a tua força provoca uma reacção, e é muito semelhante a velocidade com que impressionas e desiludes.
Tu, que lês, és muito. E esse é o teu problema. Repara, depois de tantas letras bebidas o chão começa a ficar longe. Desejar é agora nada; o que tu queres é ser e fazer e provar e sentir. No fundo, cada centímetro da tua carne vibra por descobrir. Para ti, que lês, tenho apenas palavras. Eu, que escrevo, sou pouco mais do que grafismos e metáforas: a caneta é que vive, porque é dela a coragem, e eu não passo da extensão que lhe permite tal proeza.
Tu, que lês, caminhas para a próxima fase. Deixaste há muito de ser só quem lê e vais-te lentamente e com segurança tornando personagem narradora. Os livros foram manuais de instruções, mas tu já sabes comandar. Eu, naquilo a que chamas agora realidade, sou um mero ignorante. Os meus conhecimentos de Geografia resumem-se aos universos utópicos.
Eu pertenço ao Mundo, enquanto ele te pertence a ti. É por isso que, apesar de eu estar nas tuas mãos há tanto tempo, as minhas serão sempre demasiado pequenas para te agarrar.
terça-feira, 8 de julho de 2014
Se
Estás aí?
Queria que me ouvisses
E adormecesses
E assutasses
E vivesses
E enternecesses
E alimentasses
E chorasses
E lesses
E jurasses
E chateasses
E bebesses
E quisesses.
Resumindo,
Gostava que estivesses.
Queria que me ouvisses
E adormecesses
E assutasses
E vivesses
E enternecesses
E alimentasses
E chorasses
E lesses
E jurasses
E chateasses
E bebesses
E quisesses.
Resumindo,
Gostava que estivesses.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Rascunho
Vou existindo
De pé no limbo
De semblante carregado
Ou sorrindo,
Sabendo-me estragado.
Enviam-me nesta cilada
Para sítio de nada
Onde o eterno acaba
E o ar é amargo,
Onde o mel do breu
Foi sorvido num Mundo
Que não é meu.
Tragam-me a escuridão,
Já que a luz é intriga
No que ludibria a visão,
Um gesto triste e assertivo.
Quero ser pouco
Na camuflagem da noite,
Quero estar só
E um futuro abrasivo,
Porque de dia sobrevivo
E é à que noite vivo.
De pé no limbo
De semblante carregado
Ou sorrindo,
Sabendo-me estragado.
Enviam-me nesta cilada
Para sítio de nada
Onde o eterno acaba
E o ar é amargo,
Onde o mel do breu
Foi sorvido num Mundo
Que não é meu.
Tragam-me a escuridão,
Já que a luz é intriga
No que ludibria a visão,
Um gesto triste e assertivo.
Quero ser pouco
Na camuflagem da noite,
Quero estar só
E um futuro abrasivo,
Porque de dia sobrevivo
E é à que noite vivo.
Subscrever:
Comentários (Atom)