Escolher um caminho e como caminhar:
A Terra para andar,
O Céu para voar.
Trágica a existência neste Futuro imenso:
Há tantos Mundos numa Vida
E a nenhum deles pertenço.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
domingo, 19 de abril de 2015
Tentativas
Um rascunho não passa de um projecto inacabado que não sai do papel. Uma ideia, ou melhor, a ideia de uma ideia. Um rascunho surge quando não sabemos o que fazer ou quando não sabemos se aquilo que queremos resulta, e então tentamos experimentar algo não definitivo e testamos a viabilidade daquilo em que pensámos. Se não resultar, simples: passa-se uma borracha sobre o assunto e deitamos fora o tempo passado a trabalhar naquela ideia. O processo é repetido até se obter a obra-prima final.
Existe quem tenha sorte e não precise de recuar uma única vez até chegar àquilo que pretende. Os culpados encontrados são muitos: talento, destino, sorte, Deus. Há ainda quem agradeça à família por o ter posto no Mundo para produzir obra. E efectivamente não deixam de ter razão.
O Homem é uma grande obra por completar, um rascunho. Nasce e cresce continuamente (por dentro e por fora) até fechar os olhos para a eternidade. Quem achar que não, deixou realmente nesse momento de crescer também (um paradoxo curioso). Fazemos, esperamos, assimilamos e avaliamos os resultados dos nossos actos, e é a partir deles que decidimos se estamos no bom caminho para chegarmos à nossa Mona Lisa ou não. Novamente, se estivermos errados só temos de apagar e tentar de novo. Quer dizer, às vezes com o entusiasmo e a fé de que daquela vez é que vai sair bem carregamos com tanta força no lápis que mesmo que tentemos não conseguimos apagar tudo, e lá tem então de vir uma folha nova. E passamos uma vida assim, e gastamos oxigénio e árvores assim.
E depois existem ainda pessoas com o meu problema. Eu não sou uma obra em construção. Não sou um rascunho. Já foi dito que um rascunho se define como uma ideia testada no papel, uma teoria experimentada, mas o meu papel está em branco. Falhar, falhar exige força e empenho para se ter uma nova ideia depois da primeira não resultar. Mas as minhas ideias... Não sei, à partida não parecem grande coisa, portanto, para quê sujar um caderno? Para quê depositar esperanças em raciocínios e horas efémeras? Não é mais fácil dar asas à preguiça cobarde e não anotar nada? Talvez. Assim sou eu. Eu sou ideias, eu sou muitas ideias que não moram em lado algum e que não vão morar em nenhum local para além de uma prisão na minha mente. Eu sou tentativas que nunca aconteceram, metas nunca cortadas. Eu sou um quase. Um quase muita coisa. Um quase demasiada coisa. E não há nada em que seja completo, em que me sinta completo. Eu podia ser muito e não sou nada, porque se tentasse ser muito poderia no fim não ser mesmo nada. Desta forma, sou nada mas talvez fosse muito, se quisesse. Porque se aquele rascunho saísse mal, bem, o que restaria então?
Nunca ninguém viu um rascunho escrito a tinta permanente, não é verdade? Mas se faltasse algo nesse rascunho, de que serviria uma borracha? E se a tinta fosse tão intensa que manchasse as restantes folhas daquele caderno? Não há cadernos suficientes para todos, portanto não podemos estragar as folhas que quisermos.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Espelho
Ergo a cabeça e vejo escuridão,
Não uma escuridão cega
Mas de uma visibilidade repulsiva.
Vejo medo, ignorância, intolerância,
Vejo a presunção de quem me tenta superar.
Encontro-me perante uma besta,
Tão horrenda e destrutiva
Que já desfez vontades de viver e amar.
Pessoas chegam e partem
Com a mesma velocidade;
Pretenderam ficar,
Mas compreendem que não podem.
Pelo seu bem, pela sua sanidade,
Terão de desistir da vontade
De contrariar o resto dos Homens.
E eu não quero observar mais
Ao mesmo tempo querendo,
Desapareça a voz da razão,
E a tragédia e a solidão
Enquanto todo o novo torna a velho
São tudo o que vejo por este espelho.
Não uma escuridão cega
Mas de uma visibilidade repulsiva.
Vejo medo, ignorância, intolerância,
Vejo a presunção de quem me tenta superar.
Encontro-me perante uma besta,
Tão horrenda e destrutiva
Que já desfez vontades de viver e amar.
Pessoas chegam e partem
Com a mesma velocidade;
Pretenderam ficar,
Mas compreendem que não podem.
Pelo seu bem, pela sua sanidade,
Terão de desistir da vontade
De contrariar o resto dos Homens.
E eu não quero observar mais
Ao mesmo tempo querendo,
Desapareça a voz da razão,
E a tragédia e a solidão
Enquanto todo o novo torna a velho
São tudo o que vejo por este espelho.
Subscrever:
Comentários (Atom)