Sentado no sofá,
Chávena de café numa mão,
Um Fernando ou um José na outra,
Bebo a história, bebo a viagem,
Bebo a glória.
Sentado ao balcão,
Copo de vinho na mão
E contigo na outra,
Bebo o momento,
Bebo desde o chão,
Bebo-te coração.
E as guerras, e as mortes,
As economias e os cortes,
O ozono e a força da Natureza,
São catástrofes menores.
Perante tal beleza
A poesia é tão curta,
A chama tão acesa.
E cartas na mesa,
Se tudo se conjugasse,
Tivesse eu a quem propor,
Pousava a caneta e parava tudo
Aqui, numa fotografia simples,
Só eu e o meu amor.
quarta-feira, 20 de julho de 2016
terça-feira, 19 de julho de 2016
Primeira Lei de Newton
Vives desvivendo
Na incerteza do medo,
Os teus dias vão passando
Mas nada neles passa desde cedo.
O que farias se pudesses
Não é mais do que uma verdade paralela
Que vestes na desculpa para a tua falta de coração,
E os anos prosseguem e apagas velas
E pedes desejos que te pregam ao chão
Porque a inércia, essa,
Só se vence por acção.
Tarde virá esse dia,
Em que deixes de esperar respostas trazidas pelo vento,
O teu ideal ganhou imortalidade:
É preciso estares vivo para morreres
E tu morreste há muito tempo.
Na incerteza do medo,
Os teus dias vão passando
Mas nada neles passa desde cedo.
O que farias se pudesses
Não é mais do que uma verdade paralela
Que vestes na desculpa para a tua falta de coração,
E os anos prosseguem e apagas velas
E pedes desejos que te pregam ao chão
Porque a inércia, essa,
Só se vence por acção.
Tarde virá esse dia,
Em que deixes de esperar respostas trazidas pelo vento,
O teu ideal ganhou imortalidade:
É preciso estares vivo para morreres
E tu morreste há muito tempo.
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Sentido(s)
Sinto de ti
O que mais não sinto,
Sinto-te em mim
Como nunca me sinto.
Cheiro o perfume que trazes ao pescoço
E vejo como o teu cabelo dança ao vento,
Ouço da tua boca que nada posso
E sou tocado pela mágoa do momento
Em que o pronome Nosso ruiu.
Mas ao provar o sal que me escorre o rosto
Descubro deste ser também teu;
Aquele império que caiu
Já não era só meu.
Sentia de ti
O que mais não sentia.
Não era verdade.
Era vontade.
O que mais não sinto,
Sinto-te em mim
Como nunca me sinto.
Cheiro o perfume que trazes ao pescoço
E vejo como o teu cabelo dança ao vento,
Ouço da tua boca que nada posso
E sou tocado pela mágoa do momento
Em que o pronome Nosso ruiu.
Mas ao provar o sal que me escorre o rosto
Descubro deste ser também teu;
Aquele império que caiu
Já não era só meu.
Sentia de ti
O que mais não sentia.
Não era verdade.
Era vontade.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Hipérbole
Na vida exangue
De um copo com água
A dúvida faz tempestade,
A gota faz tsunami,
O arranhão esvai-se em sangue.
Nesse copo tudo é nada:
David sucumbe perante Golias,
Não há ninguém feliz,
No meio de caos e desordem
O mal é raiz.
Na vida exangue
De um copo com água
Tudo é arrependimento:
Não sou o que podia,
Não sou o que queria.
De um copo com água
A dúvida faz tempestade,
A gota faz tsunami,
O arranhão esvai-se em sangue.
Nesse copo tudo é nada:
David sucumbe perante Golias,
Não há ninguém feliz,
No meio de caos e desordem
O mal é raiz.
Na vida exangue
De um copo com água
Tudo é arrependimento:
Não sou o que podia,
Não sou o que queria.
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Regime Estacionário
Sou um monótono Inverno
De folhas caídas das árvores
E frio rigoroso.
Sou uma rua deserta
Onde não se vê nem ouve vivalma,
Onde não se espera um abraço caloroso.
Sou uma tarde chuvosa de domingo,
De livro numa mão e chávna de chá na outra,
Num forçado repouso.
Espero apenas a Primavera que faça nascer flor na árvore nua
A meia-noite que me torne num dia novo
E que fique para habitar a minha rua.
De folhas caídas das árvores
E frio rigoroso.
Sou uma rua deserta
Onde não se vê nem ouve vivalma,
Onde não se espera um abraço caloroso.
Sou uma tarde chuvosa de domingo,
De livro numa mão e chávna de chá na outra,
Num forçado repouso.
Espero apenas a Primavera que faça nascer flor na árvore nua
A meia-noite que me torne num dia novo
E que fique para habitar a minha rua.
terça-feira, 5 de julho de 2016
Sem Volta
A estrada em frente
É feita de momentos:
Alguns são horríveis
E outros menos horríveis.
São estes últimos que valem a pena fotografar:
Com uma câmara, com a retina, com palavras.
São a morfina que ajuda a suportar
A doença que é estar vivo,
A agonia de respirar
Durante mais um dia entre outros tão iguais,
De não ver o fim até ser tarde de mais.
E assim, com toda a negrura que tem
Um coração que sente,
É uma bênção estar doente.
É feita de momentos:
Alguns são horríveis
E outros menos horríveis.
São estes últimos que valem a pena fotografar:
Com uma câmara, com a retina, com palavras.
São a morfina que ajuda a suportar
A doença que é estar vivo,
A agonia de respirar
Durante mais um dia entre outros tão iguais,
De não ver o fim até ser tarde de mais.
E assim, com toda a negrura que tem
Um coração que sente,
É uma bênção estar doente.
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