Alexandre Herculano (1810-1877) foi um escritor, poeta, jornalista e historiador de vital importância no panorama da literatura nacional, por ter sido um dos rostos do Romantismo em Portugal e um dos grandes impulsionadores da prosa de ficção moderna no nosso país.
Influenciado por toda uma panóplia de acontecimentos ocorridos em solo nacional durante o início da sua vida, como as invasões francesas, o domínio inglês ou as ideias liberais trazidas da Revolução Francesa, Alexandre Herculano acabou por se destacar dos demais escritores da sua geração, por toda a alma e intensidade que colocava nas suas obras.
Eurico, O Presbítero (1844) é sem dúvida uma dessas obras, e uma das mais conhecidas do autor. Somos apresentados à história de amor proibida de Eurico e Hermengarda, na Espanha visigótica do século VIII. Depois de travar e vencer batalhas ao lado do Rei de Espanha, o valoroso Eurico, de origens humildes, pede ao Duque de Cantábria a mão da sua filha Hermengarda em casamento, sendo que este recusa ao saber que Eurico não é nobre.
É então que este se entrega à vida religiosa tornando-se Presbítero de Carteia, mais por necessidade de afastar as memórias de Hermengarda do seu pensamento do que por vocação, mas o amor verdadeiro é inesquecível e proporciona muitas reviravoltas no mundo de Eurico.
Eurico, O Presbítero é um romance apaixonante e vibrante sobre dois destinos travados pelo peso do interesse e da estratégia política que muito estiveram em voga durante grande parte da História que já se escreveu e daquela que é permanentemente escrita. Às vezes é mais fácil fugirmos daquilo que não podemos ter por não acreditarmos ter valor para mudar o que o destino tem escrito para nós, e isso deixa-nos infelizes e de braços caídos, reduzidos à insignificância da nossa vida. Claro que podemos sempre escolher lutar contra aquilo que nos está reservado na tentativa de alcançarmos aquilo que almejamos, mas será possível alterar aquilo que já está escrito? Uma coisa é certa: ser infeliz sem tentar é muito diferente do que ser infeliz com a consciência de que se fez tudo o que era possível.
Não posso terminar sem deixar de dar o meu "selo de qualidade" a esta obra: quando alguém me fala em "Romeu e Julieta", a minha primeira reacção é dizer sempre "Eurico e Hermengarda". Talvez haja quem ache exagero, mas qual é a grande história de amor que não vive de exageros?
Boas Leituras!

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