O início e o fim
Fazem uma ponte:
O primeiro é a fonte
E ao outro digo sim,
Partindo em busca
De escrever história
Que outro conte.
Parto sem saber nada:
O perder do labirinto,
O subir da escada
Ou a monotonia do andar,
Que me adormece até acordar
Gigante escondido
No abismo;
Aliás, no vazio,
Porque em última instância
Olho até a queda
Para lhe encontrar substância.
Construo então tabuleiro
De xadrez
Para me mover feito peão,
Lento e curto no desejo,
De canção limitada
E história contada
Se é raro chegar ao que vejo.
E se o olhar não passa senão ideia
Para que o corpo se desamorfe
E seja a jornada odisseia?
E se a ponte não é passagem
Mas descaminho
E atalho para esse fim
Da tortura e vassalagem?
Do alto da ponte
Não se vê,
Mas o salto encerra
A mensagem na garrafa
E a imensidão do mar
E a vontade de nadar
E o sorriso do nunca visto
E o baú do tesouro
Que é ter tudo isto
E ser mais rico do que o ouro.
É afundar sem afogar.
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