domingo, 23 de novembro de 2014

Oblívio

Hoje veio tão cedo
E eu não estava preparado,
Perdido nos meus planos para Amanhã,
Com Ontem recém-chegado
A inspirar o aroma do medo,
Dando o tempo como contado,
Contando-o como se tivesse acabado.
Nada permaneceu enquanto eu permaneci
E agora que tento mudar
Tudo foge de mim:
O chão debaixo dos meus pés,
O sal das marés,
As flores do jardim.
Tarde era quando achei ser possível,
Agora é apenas irrealidade;
Da minha revolução não brilha o sol
Nem urge tempestade.
Fui absorvido pela vontade
Que já não posso ter,
Pois o desejo agora é nada
E nada é o meu morrer,
E na despedida de mim e daquilo
Que quis pela manhã,
Lembro-me que todo o Ontem já foi um Amanhã.

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