Pago bilhete à entrada,
Na mão esquerda tenho esperanças
Na direita não levo nada.
Prossigo para esta brincadeira de crianças
Sempre de olhar desconfiado,
Qual seria o interesse da vida
Se o ponto de chegada
Fosse a partida?
Mas à medida que circulo
E que me apanha a realidade
Percebo então o estímulo
De andar às voltas sem saída:
Viver nem sempre é uma corrida,
Às vezes é corrida sentado,
E o que pode vir a ser
Afinal podia ter sido.
Mas com tantos erros de cálculo
Aprendemos qualquer coisa,
E também quem se move menos
Pode ir evoluindo.
Repetir portanto a paisagem
Não é anormal enquanto me movo:
Mudando a cada passagem
O velho será sempre novo.
E neste bilhete de ida
Não deixa de haver volta
Se não páro permanecendo aqui
E os sonhos andam à solta.
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