Primeiro, um pequeno grande apontamento: prometo que o atraso nesta rubrica não se deve a preguiça mas sim a problemas informáticos irritantemente complicados de resolver. Posto isto vou então começar a falar de Lev Tolstoi (1828-1910), que foi um conde russo sobejamente famoso na literatura mundial. Conhecido por se encontrar numa constante batalha entre a vontade de viver uma vida boémia e passar os dias de uma forma absolutamente regrada e longe das luzes da ribalta. Acabou por fazer as duas coisas: enquanto jovem apostou mais nos prazeres da carne e do jogo, mas depois de se casar, em 1862, Tolstoi alcançou a paz na gestão das suas propriedades e fortuna e também com a escrita. Foi durante este período que escreveu autênticas obras-primas como Guerra e Paz ou Anna Karenina, ou ainda a obra apresentada em baixo.
A Morte de Ivan Ilitch (1886) é um livro pequeno mas brilhante, considerado por muitos uma das mais fantásticas obras da Literatura Russa e Mundial. Começa precisamente com o anúncio da morte e o velório de Ivan Ilitch, um funcionário jurídico respeitável e por quem todos têm grande estima. Despreocupado com a vida para além das obrigações, tudo muda quando Ilitch fica gravemente doente e começa a definhar em casa acamado, sem contactar com o mundo exterior. A partir daí assistimos à história brilhante de um homem no limbo entre a vida e a morte e por uma busca de conhecimento interior e pelo sentido da vida. É comovente e simultaneamente desesperante sentirmos que a vida se nos escapa lentamente por entre os dedos e que não fizemos o suficiente por merecermos tornarmo-nos imortais através dos nossos feitos ou palavras; que vivemos o suficiente para realizarmos os nossos sonhos e em vez disso perdemos o tempo todo a tentar fazer parte de uma sociedade que se vai esquecer de nós assim que deixarmos de lhe ser úteis. E por isso, pior do que morrer é sentir que não vivemos. E se na realidade não vivemos é porque não iremos propriamente morrer, ficando a nossa existência presa numa dimensão de insatisfação e desespero por termos tido a oportunidade de sermos tudo e acabarmos como nada.
Boas Leituras!
Boas Leituras!

Um dos primeiros livros de Lev Tolstoi que li, despertou em mim o gosto por este género literário, sem duvida uma das muitas obras primas escritas da humanidade, resultado da mente de um génio. Nunca comentei blogs, simplesmente sou um leitor, mas neste caso não pode deixar de expressar a minha opnião. Estas obras são intemporais, levam nos a pensar nas nossas vidas questionármos, em fim por o nossa vida, em perspéctiva são livros destes que causam um impacto tão profundo no ser humano que o engrandece e o torna melhor na sociedade. Por fim quem conhece minimamnte a russia de hoje fica espantado como seculos depois as obras de tolstoi paressem actuais, enfim podemos reflectir um pouco mais sobre isso. Obrigado Pedro Sousa por abordares esta obra prima literária.
ResponderEliminarMuito muito obrigado por esse comentário tão generoso! O gosto pela obra é mútuo, mas é bom saber que partilhamos esse fascínio por este livro de Tolstoi. Ainda bem que te deixei contente, meu bom amigo! =)
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