segunda-feira, 3 de março de 2014

Doutor Divago: Parte 2

Deixem-me, de uma vez por todas. Juro que não vos percebo, dizem-se pessoas racionais mas dirigem-me a palavra. Não há nada de racional nisso.
Sou absolutamente maquiavélico, um ser que pouco tem de humano, que nada tem para oferecer a este Mundo para além de podridão e revolta. É assim tão difícil entender isso? Estou estragado e estagnado, não tenho cura e sou doença. Daquelas infecciosas, que se espalham sem se dar por isso, mas capazes de matar de forma tudo menos indolor. Sou peste que causa putrefacção na carne e na alma, a merda de um buraco negro que absorve matéria positivista, um Dementor que suga toda felicidade, que remove sonhos e os retalha à frente dos donos sem direito a Expecto Patronum que me arrase. Arrasado já eu estou.
Não façam de mim bom nem altruísta, não digam que me acho mau porque só lido com as agruras alheias. Sim, preocupo-me com vocês nas vossas fases mais desesperadas, mas a realidade é que me estou cagar para vocês. Percebam que eu tenho de me autodestruir mas não sem antes vos levar a todos comigo. É uma idiossincrasia minha e é algo que não posso mudar. Nem quero. Sim, estou interessado no que vos aconteceu de mal, mas só para me certificar de que não vos posso enterrar mais profundamente no Inferno, para que ardam até que nem memória de vocês reste. Quero que apodreçam todos, que desapareçam da minha vista o mais rapidamente possível. Continuam com a intenção de viver vidas felizes e de chegar ao fim com um sentimento estúpido de realização? Então afastem-se, JÁ! Corram e não olhem para trás, não tentem contactar-me e, sobretudo, desistam de me salvar. Não existe a metade que me falta, por mais que queiram.
Eu quero ficar sozinho.
Eu tenho de ficar sozinho.
Eu mereço ficar sozinho.
E aquele título ridículo lá em cima só me enche de ainda mais nojo. Doutor. Como se eu não fosse já demasiado ridículo para ainda atribuir a mim próprio títulos destes.

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