Corro sem parar, corro sem fôlego até que os sapatos fiquem sem nada mais do que a minha pele por baixo. Vi-me neste labirinto sem saber porquê nem como, e agora só sei que me resta correr. Não sei para onde vou, não sei de onde vim, mas vislumbro por entre a densidade da vida uma réstia de luz, e é para lá que caminho, é para lá que quero caminhar, é lá que quero estar.
Olho para a curva diante de mim e penso no que aí virá. Pode ser um fim ou princípio, pode ser um precipício ou pior ainda, outra curva igual. De que serve correr se a sensação é a de que não saímos do lugar?
Doem-me os pés e o coração, acho que me estou a cansar de correr sem direcção. Talvez fosse melhor voltar para trás, abdicar do que aí vem em favor do que o destino já me garantiu… Mas quando olho para trás, constato que o solo que piso se desmorona no vazio no mesmo instante. Já não é opção voltar para trás, já não é válido sequer parar. Resta correr em direcção ao Sol, confiar no desconhecido e passar a conhecer o infinito. Lá, no sítio onde moram os sonhos.

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