segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Biblioteca Sabática #13

E desta vez, uma obra que até à data ainda não se encontra traduzida para português mas que me diz muito.
Stephen Chbosky (Pittsburgh, 25 de Janeiro de 1970) é um romancista, argumentista e realizador americano. Apesar de não ter grande quantidade de obras de relevo reconhecidas pelo público, foi co-autor e argumentista da série televisiva Jericho, e entes disso arranjou tempo para escrever um livro brilhante, no qual posteriormente baseou um filme (que acabou por ser o meu favorito de 2012).


The Perks Of Being A Wallflower foi escrito em 1999, tendo a oportunidade de se transformar num filme 13 anos depois. Passa-se no início dos anos 90 e conta a história de Charlie, um rapaz escritor tímido e que passa facilmente despercebido onde quer que vá, prestes a iniciar o seu primeiro ano de Secundário. Na forma de cartas com destinatário desconhecido, Charlie vai relatando na primeira pessoa as ocorrências da sua vida: a forma pouco convencional de ver o Mundo e de lidar com as escolhas, a Amizade com Patrick (um rapaz expansivo e extrovertido que se vê obrigado a esconder a sua homossexualidade) e Sam (a meia-irmã de Patrick) e as descobertas proporcionadas pelo Amor.
Um livro que Chbosky assumiu ser em parte autobiográfico, mas que me parece ser universalmente biográfico. Já todos fomos ou somos Charlies, Pattricks, Sams e outros tantos seres que se sentem únicos no Mundo, mas sentiram que toda essa diferença que tinham os fazia sentir que estavam sós, que não tinham quem os compreendesse. É quando descobrimos pessoas estranhas como nós, pessoas que recusam ceder às pressões da sociedade e ao que é politicamente correcto, que nos faz sentir livres e compreendidos, parte de uma simbiose perfeita na qual o destino nos coloca.
Quem somos? O que fazemos? Será que temos direito a sermos especiais? Qual é a razão da nossa existência? Faz sentido amarmos e sermos amados? Faz sentido esperarmos sermos recompensados por lutarmos, ou será que tudo o que nos acontece está programado? Será que temos todos talentos únicos? Será que devemos apresentar os nossos talentos à luz do dia e suarmos para que eles se revelem um bem maior? Porque nos sentimos sozinhos? Porque temos necessidade de fazer com que os outros nos aceitem? Porque é que temos medo de acabar sem ninguém a chorar por nós, sem alguém que ache que a nossa vida teve importância? Merecemos ser felizes? São estas e muitas outras perguntas que The Perks Of Being A Wallflower nos coloca desde a primeira à última palavra. Umas são respondidas, outras não. Mas não é algo que dependa do livro e sim do leitor, pois nós somos moldados pelas nossas acções enquanto seres humanos e portanto vamos ler nas entrelinhas que quisermos, e retirar a beleza que pretendermos de uma obra única. Fica uma só certeza: estas páginas não dão lugar à indiferença. Neste livro, o fim é apenas o início.

Boas Leituras!


P.S.: Preguiçosos, não se limitem a ver o filme (apesar de também o aconselhar vivamente). Não se vão arrepender.

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