quinta-feira, 10 de abril de 2014

inDesejo

Era uma vez um Desejo.
Um dia, cansado de não contribuir para um Mundo melhor, o Desejo decidiu conceder-se a Ele.
Sem hesitar, Ele pediu para ser colocado no centro do local mais belo da Terra, um local que Ele pudesse amar e admirar por toda a eternidade.
O Desejo colocou-O então no meio do campo mais vasta e densamente florido, onde reinava a beleza mais simples e simultaneamente etérea alguma vez vista.
No entanto, e apesar de o princípio se ter revelado frutífero, a magia cedo deu lugar ao desespero. Ele queria progredir, desenvolver aquela relação com aquele lugar que escolhera para viver até ao final dos seus dias, mas para onde quer que ele olhasse só havia flores, frágeis e delicadas flores. Virava-se ele para qualquer ponto e via-se impedido de andar, pois um único passo bastava para destruir um pouco daquele campo. E quantos mais passos desse, mais era a quantidade de flores que dizimaria no seu caminho. Ele encontrava-se então numa encruzilhada: ou apostava na sua própria liberdade e destruía aquilo que tinha de mais fascinante na vida, ou preservava aquele sítio sofrendo como consequência nunca mais se poder mover.
E Ele tomou a única decisão que podia tomar. Era impossível viver consigo próprio sabendo que tinha sido responsável pela deterioração daquilo que Ele considerava puro. Era algo que Ele não podia permitir, destruir algo perfeito, digno do seu amor. Como tal, amaldiçoando o dia em que pudera realizar um desejo, Ele ficou imóvel até ser pó, prisioneiro do seu próprio sonho.

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