segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Mudo

Tens de fazer muita merda,
Mas que envolva mais alguém,
Que a merda é de quem a herda.
Dorme de luz acesa
E deixa a conta abandonada,
Esconde-te debaixo da mesa
E oculta a respiração cansada
E come a sobremesa sem usar uma colher.
Abraça a tristeza
E arranja uma linda mulher
Só para estragares tudo a seguir,
E olha que o agora já vem tarde;
Impede-te de rir
E se puderes, os outros também
Cria vidas miseráveis, poucas serão cem;
Segura-te para não tentares subir
E sê um filho da mãe
Deprimido e nojento e descrente,
De quem todos tenham pena
Mas ninguém aguente.
Mantém-te só contigo mesmo,
Que se te enganas podem tentar fazer-te feliz;
Entra numa luta de tasca
E parte um nariz
E que de preferência não seja o teu,
Apropria-te do mais adequado linguajar rasco
Que soe a teu,
Que provoque asco
Suficiente para que te considerem demente
Ou que "pessoa" passe a ser uma hipérbole usada para te descrever.
Basicamente, vive uma vida miserável
E corta com tudo o que é razoável,
Mantém o tom até a Morte te rasgar devagarinho
E assim fará sentido quando partires sozinho.

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