Uma amiga perguntou-me se eu tinha uma teoria sobre o facto de a Vida ser tão traiçoeira, tão cheia de altos e baixos. Acredito que tudo o que acontece tenha uma razão de ser, e este caso não representa uma excepção.
Nós, seres humanos, não conseguimos quantificar os sentimentos, e como tal vivemos a nossa vida baseando-nos fortemente na comparação. Nós não conseguimos dizer se somos a décima ou a centésima pessoa mais feliz do Mundo, mas sabemos dizer se estamos hoje mais felizes do que aquilo que estávamos há um ano atrás.
Por muito que queiramos alcançar a felicidade eterna esta não é real. Podíamos esperar que nos acontecessem sucessivos motivos de felicidade, cada um melhor do que o outro, eternamente, mas sabemos que tal é impossível. De outra forma, quando passarmos por um considerável valor de acontecimentos positivos de grandiosidade aleatória, ignorando já qualquer situação negativa, mesmo assim não nos iremos sentir felizes, porque a comparação feita pelo nosso subconsciente nos dirá, que apesar de positivos, certos acontecimentos não são "tão bons" como outros anteriores. A felicidade e a tristeza supõem mudança, não algo bom ou mau, e portanto o facto de experienciarmos algo positivo não faz de nós felizes a menos que tal acontecimento seja efectivamente melhor do que o anterior. Não havendo essa mudança, o que sentimos é uma sensação de desconforto e falta na nossa vida.
Logo, e por muito paradoxal que seja, demasiada felicidade não faz de nós necessariamente pessoas felizes. Por muito que não queiramos, precisamos da infelicidade para saborearmos com maior intensidade a felicidade, assim como a luz mais brilhante produz a sombra mais escura. Se não passarmos por momentos de tristeza, nunca vamos saber o verdadeiro valor de se ser feliz.
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