sábado, 26 de janeiro de 2013

Apagar o Fogo com Fogo?

Somos muitas vezes confrontados com o sentido de perda. Perdemos objectos importantes, perdemos séries na TV, perdemos entes queridos e perdemos oportunidades no Amor. Neste último, acontece que frequentemente cometemos um erro crasso: tentamos esquecer uma pessoa com outra pessoa.
Tão tentador, tão errado. O nosso cérebro funciona como aqueles amigos chatos, que passam o tempo a lembrar-nos daquelas asneiras ridículas que cometemos, mas que depois são os primeiros a propor-nos nova aventura louca. A nossa memória é tão preenchida com um Amor que correu mal ou que não correu de todo que a nossa primeira reacção é procurar alguém que nos dê recordações novas que substituam as velhas e dolorosas.
O grande problema é que nós criamos expectativas. Quando somos felizes com alguém ou achamos que vamos ser felizes com alguém, a nossa mente fabrica uma realidade cor-de-rosa, em que nada destrói a felicidade e na qual sentimos que somos inatingíveis. Quando tentamos amar alguém da mesma forma que já amámos outra pessoa, descobrimos que a realidade que tínhamos imaginado não é afinal reprodutível com mais ninguém. Quando perdemos quem nunca tivemos, descobrimos que não podemos vir a ter o que queríamos com alguém que agarramos. Se esta pessoa que conseguimos ter fosse igual àquela com que não conseguimos ficar, provavelmente já a teríamos perdido também.
A curto prazo é fácil e agradável, mas a longo destroça-nos o coração e corrompe-nos a alma. A felicidade com um Pseudo Amor é como uma simples maçã, em que há uma finíssima casca a separar-nos do verdadeiro fruto. Esta felicidade é algo extremamente artificial e de morte anunciada para duas pessoas.
Não vale a pena trocar um Mundo de Tristeza por dois de Dor.

P.S.: Depois de ter pensado nisto há alguns dias, fui confrontado com este vídeo das maravilhosas TEDTalks, em que alguém mais qualificado que eu, o psicólogo Barry Schwartz, fala precisamente da questão das escolhas e das expectativas, e dos erros a que nos levam. Apesar de alguns termos científicos, é um vídeo bem disposto e esclarecedor e por isso achei apropriado emparelhá-lo com esta minha reflexão.


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