Sonhemos! Emocionemos! Gritemos! Exasperemos! Façamos! Beijemos! Cantemos! Choremos! Que se possa errar e aprender com os erros! Que se possa errar e continuar, se aprouver! Que se usem as boas maneiras para exaltar quem merece, que se enfiem as boas maneiras num saco por quem as esquece! Que se ria muito, se coma muito e se beba ainda mais! Que o pouco seja para o que deve! Que não haja troça dos poetas e que haja se não passarem de lixo! Que não se benza lixo! Que não se bajule lixo! Parem-se as avalanches de sins quando faltam bons nãos! Haja revolta! Haja acção! Não à inércia, a mental! Que se possa dizer tudo e opinar tudo, que se possa criticar tudo! Que se tapem ouvidos e não bocas! Escreva-se à mão! Recuperem-se as máquinas de escrever! Vamos para a rua! Olhemo-nos nos olhos! Que bebamos da vida que brota desses olhos! Sejamos piegas de vez em quando! Revoltemo-nos sempre que necessário! Não viremos as costas àquilo que nos ataca à traição! Que se acabem com as futilidades e as sevícias! Que se mostre o bonito! Que se mostre o feio também! Que não se esconda nada! Que se experimente o Amor! Que se viva o Amor! Que se sofra por Amor! Que se foda o Amor! Que se usem palavrões como alívio da pressão! Que se use o cliché como desculpa! Que se justifiquem argumentos! Que não se justifiquem opiniões! Que se sigam as convicções! Mostre-se raiva! Mostre-se carinho! Haja melancolia e solidão, tristeza e depressão! Haja espanto e harmonia, haja histerismo e alegria! Haja Casal Garcia! Haja humor! Lixem-se as marcas! Acabem-se os provérbios e as frases feitas! Desapareçam os robots telecomandados! Que a nossa vida seja dona dela própria! Que a nossa vida não seja dona de ninguém! Dê-se voz à coerência sensata e um altar à incoerência febril! Faça-se novo! Faça-se de novo! Deite-se fora o velho! Guarde-se o antigo! Que tudo seja protegido mas nada intocável! Deseje-se a morte do Dantas! Que não morra o corpo do Dantas, que lhe morra a obra! Que se lhe morra a geração! Que seja o cigano a sentir-se ofendido ao ser comparado com o Dantas! Que venham as batalhas! Que venham as consequências! Que venham as veemências! Que a intensidade nos governe e as palavras no papel se cravem na memória como lâmina na carne! Que se recupere a vontade de escrever! Escreva-se! Escreva-se! Escreva-se! Sejamos Almadas, revolucionários e futuristas! Sejamos Pessoas, criadores e expansores de almas! Que não nos tornemos órfãos de ideias mas sim Orfeus de ideias! Que escrever seja quebrar as regras! Que se leiam páginas pela emoção e não pela pontuação! Que a pontuação exista não mais do que o necessário, como nos ensinou o José! Que não se paragrafe! Que todas as ideias sejam uma grande ideia! Arrumem-se os lirismos e floreados, que se sirvam cruas as palavras e se escalde o Mundo! Que ninguém se cale enquanto houver algo para dizer e que ninguém fale quando nada reste para falar!
A Poesia não está na liga perdida, mas na mulher que a perdeu.
A Poesia não está na liga perdida, mas na mulher que a perdeu.
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