"Só" é um livro especial. Considerado por muitos e pelo próprio autor como o livro mais triste da Literatura Portuguesa, representa sem dúvida um dos marcos da poesia em Portugal do século XIX, mas que ainda hoje perpetua como um dos melhores livros do género no país.
António Nobre foi alvo de uma vida curta e difícil, facto esse que deixa transparecer ao longo de toda a obra de uma forma sublime e extremamente tocante. Poemas como "Os Cavaleiros", "Adeus!", "Ladainhas" ou um dos meus preferidos, "Fala ao Coração", revelam bem a escrita de Nobre. Não se espere poesia marcadamente metafórica e subentendida. António Nobre é sinceridade, é paixão arrebatadora, é dor lancinante. António Nobre é directo e puro, e talvez por adivinhar uma vida breve acaba por viver com intensidade plena todas as palavras que redige. Um livro fantástico, produto do profundo íntimo de uma alma genial.
Boas Leituras!

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