Trato-te desta forma pouco ortodoxa por não fazer ideia da tua identidade. Não sei se és gorda nem magra, alta ou baixa, marreca ou com um olho de vidro. Não sei se ainda te estou para ver pela primeira vez, se já passei casualmente por ti na rua ou se te conheço desde sempre.
Nem sequer sei bem porque te estou a escrever neste momento. Poderá ser por sentir a tua falta no Presente? Curiosidade em saber quem és? Querer saber quando é que tu me vais aparecer definitivamente? Põe aí um grande "talvez" em cada uma delas.
Agora que escrevo, vai-me parecendo parva a ideia de que estou a dirigir-me a alguém que não sei quem é e que vai ler isto numa altura indeterminada. Mas por incrível que pareça, sabe bem. E eu ainda não disse nada de especial para além de andar aqui às voltas a tentar justificar-me. É libertador falar contigo, porque neste momento só ouves e eu preciso é de falar.
Tenho medo do Futuro e daquilo que ele me vai trazer. Tenho medo do olhar assustador com que o dia de amanhã me brinda, e só de pensar que imediatamente após esse dia vou ter de suportar outro amanhã, e outro, e outro... Queria poder dizer-me que me sinto seguro e desinibido, que vou viver para ver e fazer tudo o que quero e me faz feliz, mas não consigo... Assumir compromissos com entidades volúveis é sempre perigoso, e por muito que me digam para aproveitar cada dia como se fosse o último eu bloqueio sempre que penso que poderá ser o último.
Achas que deva ignorar isso? Seguir em frente? Estou a preocupar-me com o que não devo, não é? Ah pois é, tu não me podes responder já... Afinal parece que até me dava jeito...
Mas por outro lado, se eu não viver a vida intensamente, reduzo as probabilidades de te encontrar... E se tu adorares passear, ou estiveres naquele dia naquele museu, naquela exposição, naquele concerto... E se passares em frente à porta da minha casa quando eu estiver lá fechado? Será que isso está a acontecer agora? Era preciso uma força qualquer do Além para proporcionar isso, não? Ou se calhar apenas o Destino... Espero que acredites no Destino, porque quando te encontrar é porque ele trabalhou bem: ouviu-me e colocou-me no teu caminho.
Nem sei o que tens a dizer, mas já estou a gostar muito de falar contigo. Parece que as nossas conversas vão ser muito produtivas e interessantes, já que sem dizeres nada me convenceste a libertar-me da prisão que me retinha em mim. Aliás, como é que mesmo calada puseste um Zé Ninguém envergonhado a falar pelos cotovelos! Imagino o quão fantástica és, para conseguires tudo isso sem proferir uma palavra! E por isso daqui a 2 dias ou 20 anos, quando te encontrar, vou-te mostrar isto para te explicar quando é que me apaixonei por ti, quando é decidi que te queria comigo antes de te olhar nos olhos, quando descobri que és perfeita. Não sei o que tu estás a pensar neste momento, mas acho sinceramente que começámos muito bem.
Espera por mim,
Alguém que te viu num tempo a que ainda não chegou
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